CAPÍTULO ZERO, 2026--:

A CASA DAS GALINHAS

Um projeto de Land Art sobre memória, família e a silenciosa arqueologia da vida quotidiana.
Como deve começar um parque de esculturas?
Não com uma escultura.

Mas com uma escuta.
ANTES DA GRANDE IDEIA
Há vários anos que sonho em criar um parque de esculturas.

Sempre imaginei que começaria com uma obra de arte.

Em vez disso, começou com uma pergunta.

Como deve começar um parque de esculturas?
Depois de entrar para uma família portuguesa, comecei a passar cada vez mais tempo no norte de Portugal.

Não o Portugal dos postais.

Mas o Portugal onde os pais, irmãos, avós, tias, tios, primos e vizinhos do meu marido vivem há gerações.

Este projeto começou enquanto aprendia a compreender essa paisagem.
UMA FORMA DIFERENTE DE VIVER
  • Hoje vivemos no Dubai.

    Como muitas pessoas que vivem aqui, vivemos entre países, línguas e culturas.

    Talvez por isso, os lugares com raízes profundas tenham adquirido para nós um significado ainda maior.
  • Regressar ao norte de Portugal lembra-nos que a identidade não é apenas algo que carregamos dentro de nós.

    Ela também vive nas paisagens.

    Nos jardins.

    Nos rituais familiares.

    Nos objetos que silenciosamente sobrevivem de uma geração para a seguinte.
Hoje vivemos no Dubai.

Como muitas pessoas que vivem aqui, vivemos entre países, línguas e culturas.

Talvez por isso, os lugares com raízes profundas tenham adquirido para nós um significado ainda maior.

Regressar ao norte de Portugal lembra-nos que a identidade não é apenas algo que carregamos dentro de nós.

Ela também vive nas paisagens.

Nos jardins.

Nos rituais familiares.

Nos objetos que silenciosamente sobrevivem de uma geração para a seguinte.
Este projeto não é sobre nostalgia.
É sobre compreender como os lugares moldam quem somos.
O que mais me fascinou não foi um único objeto, mas toda uma forma de viver.
Aqui, as casas parecem nascer das colinas em vez de dominá-las.
A arquitetura antiga e a contemporânea coexistem naturalmente.

Os jardins são cultivados com cuidado.

As árvores de fruto são plantadas para as gerações futuras.

A própria vida quotidiana torna-se uma forma de cultura.

Não a cultura dos museus.

Cultura viva.
Este projeto desenvolve-se em duas propriedades familiares vizinhas.
A primeira pertenceu aos avós do meu marido.

Hoje, é o lar de galinhas, árvores de fruto e hortas.

Não foi concebida para ser bonita.

Foi construída para apoiar a vida quotidiana.

E talvez seja precisamente isso que a torna bonita.

A segunda propriedade é onde os pais do meu marido vivem há várias décadas.

Este ano, começámos a limpar o jardim, a lavandaria e vários espaços de arrumação.

Foi nesse momento que o projeto começou verdadeiramente.
O QUE A TERRA GUARDOU:
AS DESCOBERTAS
Telhas partidas.

Fragmentos de cerâmica.

Antigos tachos e panelas.

Garrafas de vidro.

Ferramentas de metal.

Pedras de granito.

Fragmentos da vida quotidiana.

Nenhum destes objetos pertence a um museu. Nenhum tem valor por si só. No entanto, juntos, formam um arquivo da existência comum.

Muitos sobreviveram não porque fossem preciosos, mas porque ninguém sentiu alguma vez necessidade de os deitar fora.

Foi aí que começou este trabalho.

O GALINHEIRO E O PÁTIO DAS GALINHAS

Um dos lugares mais importantes deste projeto é também o mais comum.

O antigo pátio das galinhas.

Continua vivo.

As galinhas circulam entre pedras, telhas, ferramentas esquecidas e vestígios de muitas décadas de vida quotidiana.

Nada aqui foi concebido como arte.

Tudo se acumulou naturalmente através da vida.

Para mim, este lugar tornou-se um arquivo inesperado.

Lembra-nos que a cultura não existe apenas nos museus.

Por vezes, existe na forma como as pessoas constroem um galinheiro, reparam uma vedação, cultivam legumes ou guardam objetos cujo valor reside apenas nas memórias que carregam.
CAPÍTULO ZERO
Isto ainda não é uma escultura.

É o Capítulo Zero.

A primeira página de uma história muito mais longa.

Talvez um dia este lugar se torne um parque de esculturas.

Talvez os artistas sejam convidados a criar obras aqui.

Talvez estes fragmentos se tornem parte da primeira escultura.

Seja o que for que aconteça a seguir, começará aqui — com um pedaço de terra, com galinhas, com uma telha partida, com uma tigela de cerâmica e com a decisão de compreender um lugar antes de tentar transformá-lo.
UM ARQUIVO ANTES DE UMA ESCULTURA
Nada foi transformado.
Nada foi colado.
Nada se tornou uma escultura.
Os objetos foram apenas recolhidos, limpos e colocados juntos.

Este arquivo temporário já faz parte da obra de arte.

A observação vem antes da intervenção.

A escuta vem antes da criação.
  • LAND ART
    A Land Art trata a própria paisagem como parte da obra de arte.

    Em vez de colocar um objeto sobre a terra, a própria terra torna-se o meio através do qual a obra é criada.

    Este projeto segue o mesmo princípio.

    Nada foi trazido de fora.

    Tudo provém destas duas propriedades familiares.

    A obra nasce do lugar, em vez de ser simplesmente colocada sobre ele.
PRINCÍPIOS DE TRABALHO
Observamos antes de intervir.
Não importamos significados.

Descobrimo-los.
Tratamos os objetos do quotidiano como memória cultural.
Trabalhamos com a terra, e não contra ela.
Cada intervenção deve aprofundar o diálogo com o lugar.

Não interrompê-lo.
Deixamos espaço para o inesperado.

SOBRE MIM

I am Ksenia Rodrigues - an art mediator, business coach and researcher exploring how people create meaning through art, psychology and culture.

A Casa das Galinhas is a Chapter Zero of a future sculpture park -- ongoing long-term research project in northern Portugal.

I am based in Dubai, where my everyday life is structured, comfortable and well organised — a place where I build my present, and from which the summer heat inevitably sends us elsewhere for a while.

Moscow is my hometown. I was born there, my Russian family lives there, and it is the city where I spent last almost fifteen years running a contemporary art gallery. It is my native language, old friendships, family, work, culture — and a certain intensity of life that I still love. I return to it, immerse myself in its energy, and, quite soon, find myself longing to slow down again.
O meu website (em russo) Coleção de arte (em russo)
PORTUGAL TORNOU-SE OUTRA CASA PARA MIM
É a minha família portuguesa, as longas refeições, a comida extraordinária, a natureza, as viagens e uma certa permissão para desfrutar da vida — talvez até uma forma de hedonismo quotidiano.

Ao mover-me entre estes lugares, comecei a interessar-me pela forma como a geografia e a cultura moldam não apenas a maneira como vivemos, mas também as diferentes formas através das quais nos tornamos nós próprios.
SOBRE MIM
I am Ksenia Rodrigues - an art mediator, business coach and researcher exploring how people create meaning through art, psychology and culture.

A Casa das Galinhas is a Chapter Zero of a future sculpture park -- ongoing long-term research project in northern Portugal.

I am based in Dubai, where my everyday life is structured, comfortable and well organised — a place where I build my present, and from which the summer heat inevitably sends us elsewhere for a while.

Moscow is my hometown. I was born there, my Russian family lives there, and it is the city where I spent last almost fifteen years running a contemporary art gallery. It is my native language, old friendships, family, work, culture — and a certain intensity of life that I still love. I return to it, immerse myself in its energy, and, quite soon, find myself longing to slow down again.

PORTUGAL TORNOU-SE OUTRA CASA PARA MIM.

É a minha família portuguesa, as longas refeições, a comida extraordinária, a natureza, as viagens e uma certa permissão para desfrutar da vida — talvez até uma forma de hedonismo quotidiano.

Ao mover-me entre estes lugares, comecei a interessar-me pela forma como a geografia e a cultura moldam não apenas a maneira como vivemos, mas também as diferentes formas através das quais nos tornamos nós próprios.
Interessa-me aquilo que levamos de um lugar para outro: hábitos, valores, memórias, ritmos, objetos e formas de ver. E talvez também a forma como, eventualmente, estas vidas aparentemente diferentes se tornam uma só.

A minha investigação contínua explora estas questões através da arte, da psicologia, da cultura e da vida quotidiana.
— Ksenia Rodrigues
ETAPAS DO PROJETO